A ditadura dos planos de saúde e os idosos

No cenário atual vem à tona novamente o tema planos de saúde e idosos, discussão que não é novidade. Há anos sabemos que as operadoras de saúde têm uma prática muito comum de subir os valores dos planos quando o indivíduo completa 60 anos, tornando inviável a sua permanência. O argumento das operadoras é de que o idoso tem maior número de doenças crônicas, e desde que existe esse modelo de negócio, o argumento é o mesmo. A diferença é que o cenário mudou, a população de idosos também e temos hoje um revolução da sociedade, chamada de envelhecimento populacional ou bônus demográfico. Atualmente já temos 50 milhões de pessoas acima de 50 anos, ou seja, 50 milhões de consumidores seniores. Aí vem minha pergunta: as operadoras ainda assim vão insistir em perder 50 milhões de consumidores por pura ignorância ou miopia, por não querer entender o negócio para esse público? Temos exemplos de sucesso de empresas que focaram em atender apenas esse grupo e são cases de sucesso no Brasil, mas a maioria das pessoas ainda está nas mãos das grandes operadoras de saúde.

Sabem porque as operadoras de saúde não querem idoso ou ignoram este público? Minha resposta é: porque são ignorantes. Por mais bizarro que pareça, eles não olham no detalhe o business de forma inteligente, analisando crescimento populacional, taxa de natalidade, expectativa de vida ou projeção populacional por corte de idade, até porque grande parte de tem toma as decisões é muito jovem ainda e falar de idosos não é interessante nem sexy. As decisões são tomadas pelo ponte de vista pessoal e não de negócios, de análise de core business.

A CVS é a maior rede de farmácias nos Estados unidos, e em 2014 comprou a Ominare por 12 bilhões de dólares, a maior transição do mercado de saúde na história dos Estados Unidos. Pois bem, a Ominare é um sistema de cuidado para idosos no formato de home care, e a CVS percebeu que seu core business  era entender e atender um público pouco observado pelos mercados de forma séria mas que tem forte presença em todos os setores da economia. Na última semana, uma notícia nova: a CVS está negociando a compra da AETNA, uma das maiores seguradoras dos EUA com negócios focados principalmente em saúde, e adivinha qual a maior base de clientes da AETNA? Sim, os idosos que nossas operadoras descartam por pura ignorância, por não querer entender ou muito menos atender.

Peço desculpas pela forma um pouco revoltada que usei alguns termos aqui, mas depois de alguns anos atuando no mercado, principalmente estudando o público sênior juntamente a outros mais, ver que quem mais deveria entender deste público está se fingindo de morto é meio difícil de entender.

Conclusão, nos próximos anos a população de pessoas idosas irá crescer ainda mais, o número de jovens irá diminuir, e teremos um abismo até que as marcas, serviços e negócios entendam esta revolução que tem acontecido. É preciso todos estudem, entendam e tenham zero preconceito em atender e entender os idosos. Não podemos ignorar 50 milhões de consumidores.

Vamos a uma reflexão minha sobre isso. Com o cenário atual e desapego das operadoras com este público, devem surgir novos negócios. Há algum tempo vêm nascendo clínicas populares que têm a proposta de atender e fazer exames a preços populares com qualidade e valores honestos. Muitas pessoas desempregadas perderam seus planos de saúde e têm justamente migrado para esse tipo de serviço. Acredito que clínicas populares que tiverem esse olhar para o público idoso, colocando serviços, profissionais e atendendo as demandas atuais, devem ter um crescimento fora da curva. A perspectiva futura é de mudanças, criação de novos mercados e novas tendências principalmente para quem quiser entender o público 50+.

E você, o que acha sobre isso?


Também publicado no Medium. Siga-nos!

mm

Layla Vallias

Fundadora da Helga, empresa de estratégia digital e desenvolvimento de produto para PMEs e cofundadora do Hype60+. Mercadóloga de formação com especialização em Marketing Digital pela Universidade de Nova York, e Diretora de Marketing do Aging2.0 Chapter São Paulo. Já empreendeu no setor de logística internacional durante cinco anos e depois resolveu começar tudo de novo para entender de gente. Trabalhou com pesquisa de mercado no Grupo Abril e, na Endeavor Brasil, ajudou a criar uma comunidade peer-to-peer com mais de 350 empreendedores. A vontade de criar uma solução para a longevidade já era antiga e, quando conheceu pessoas que compartilhavam do mesmo propósito, não pensou duas vezes. Tem o sonho grande de ver o Brasil um país mais inclusivo e mais justo para os maduros e a missão de fazer isso se tornar realidade. No Hype60+ atua nas áreas de Produto & Estratégia Digital.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.